A associação entre os seres humanos e os cães não é isenta de riscos. A biologia canina, seu alto potencial reprodutivo, a falta de conhecimento dos responsáveis pelos animais sobre suas necessidades físicas, psicológicas e comportamentais, o manejo inadequado, a cultura local, as condições socioeconômicas da comunidade, as características familiares e a falta de políticas públicas efetivas para o equilíbrio populacional contribuem significativamente para os riscos que os animais podem representar. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. A saúde animal não humana é um dos pilares da saúde única, com reflexo direto na saúde ambiental e saúde pública e preservação da qualidade de vida das pessoas, do meio ambiente e dos demais animais. O conceito de “Uma Só Saúde” parte do princípio de que o estado sanitário dos seres humanos está relacionado com a saúde dos animais e que ambas as populações afetam o ambiente que coexistem e são igualmente afetados por esse ambiente. A maioria das enfermidades humanas emergentes são de origem animal. Da mesma forma, a maioria das enfermidades emergentes, reemergentes e endêmicas podem repercutir na saúde pública por meio da inocuidade e segurança alimentar. O termo Saúde Coletiva é uma forma de abordar as relações entre conhecimentos, práticas e direitos referentes à qualidade de vida, buscando-se uma nova compreensão na qual a perspectiva interdisciplinar e o debate político emergem como questões principais. A atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) em relação às ações de Saúde Coletiva têm reconhecimento internacional e nossa vigilância sanitária nos confere um ambiente de consumo de bens e produtos de interesse para a saúde de elevado grau de segurança, como não dispõe nenhum outro país do mesmo nível de desenvolvimento do nosso.
As atividades do médico-veterinário vão muito além da clínica de pequenos e grandes animais! Envolvem também a defesa sanitária animal, a Saúde Pública, a pesquisa uni e multidisciplinar. O médico-veterinário também está inserido na Atenção Básica, por ser uma das profissões que podem compor os Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB), nas Vigilâncias Sanitária, Epidemiológica e de Zoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores e Saúde do Trabalhador. A Saúde Pública compartilha o foco na saúde da coletividade, a interdisciplinaridade e ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde humana, características em comum acordo com os objetivos do médico veterinário do coletivo, especificamente por monitorar, prevenir e controlar zoonoses, que representam 60% das doenças humanas e 75% das novas doenças infecciosas emergentes. Com a Saúde Internacional, compartilha uma abordagem para além das fronteiras nacionais, onde o monitoramento de doenças animais pode fornecer alerta precoce para infecções humanas e que enfermidades eventualmente encontradas nos animais podem ser controladas, as ações da Medicina Veterinária do Coletivo minimizam o risco de endemias ou de epidemias. Por fim, pelo fato da Medicina Veterinária do Coletivo exigir uma postura multidisciplinar e de se inserir na área da Saúde Única, procurando zelar pela sanidade e bem estar do ambiente e das populações humana e animal por meio do monitoramento de zoonoses, considera-se que o profissional médico veterinário está em pleno acordo com o conceito de Saúde Global e da sua atuação. Levar o conhecimento à respeito da Saúde Coletiva e Única e o papel do Médico Veterinário do Coletivo à comunidade escolar local é de extrema importância, ao contribuir para uma mudança positiva sobre o assunto e gerar partícipes sociais ativos na comunidade local, visando impacto futuro positivo nas políticas sociais e econômicas da sociedade local e adjacentes.
Coordenador(a): CLAUDIA DA SILVA MAGALHAES
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